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04 Fevereiro 2010

GRANDES PERSONALIDADES DA HISTÓRIA: JULIO CÉSAR

JULIUS CAESAR

Caio Júlio César[1] (em latim: Caius ou Gaius Iulius Caesar ou IMP•C•IVLIVS•CAESAR•DIVVS[1] (pronuncia-se Julius o seu sobrenome); 13 de Julho, 100 a.C. [2]15 de março de 44 a.C.[3]), foi um patrício, líder militar e político romano. Desempenhou um papel crítico na transformação da República Romana no Império Romano.

As suas conquistas na Gália estenderam o domínio romano até o oceano Atlântico: um feito de consequências dramáticas na história da Europa. No fim da vida, lutou numa guerra civil com a facção conservadora do senado romano, cujo líder era Pompeu. Depois da derrota dos optimates, tornou-se ditador (no conceito romano do termo) vitalício e iniciou uma série de reformas administrativas e econômicas em Roma.

O seu assassinato nos idos de Março de 44 a.C. por um grupo de senadores travou o seu trabalho e abriu caminho a uma instabilidade política que viria a culminar no fim da República e início do Império Romano. Os feitos militares de César são conhecidos através do seu próprio punho e de relatos de autores como Suetónio e Plutarco.

Nascimento e início de carreira pública

César, nasceu em Roma no seio de uma antiga família de patrícios chamada Iulius (pronuncia-se Julius), traduzindo para o português: Júlio, de acordo com a convenção romana de nomes. A sua ascendência, de acordo com a lenda, chegava a Iulus, filho do príncipe troiano Enéas e neto da deusa Vénus. No auge do seu poder, César iniciou a construção de um templo a Venus Genetrix em Roma, em reconhecimento da sua "divina" antepassada. O seu pai era o homónimo Caio Júlio César e a sua mãe Aurélia, pertencia a também família patrícia: Cottae, traduzindo para o português seria os Cottas. Enquanto jovem, Caio Júlio viveu no Subura, bairro de classe média de Roma.

Os Iuliae (Juliae), embora aristocratas, não eram ricos para os padrões da aristocracia romana da época e por este motivo, nem o seu pai nem o seu avô atingiram cargos proeminentes na república. A sua tia paterna Júlia casou com o talentoso general e reformador Caio Mário, líder da facção populista do senado, os populares, por oposição aos optimates (conservadores). Para o fim da vida de Mário, as disputas internas entre as duas facções haviam chegado ao ponto de ruptura. Em 86 a.C. iniciou-se uma guerra civil interna, cujo resultado a longo prazo foi a ditadura (conceito romano do termo) de Lúcio Cornélio Sula.

César estava ligado ao lado derrotado de Mário por laços familiares: não só era seu sobrinho, como era também casado com Cornélia Cinnila, filha de Lúcio Cornélio Cina, aliado de Mário e inimigo de Sula. A sua situação não era portanto das melhores. Sila ordenou o seu divórcio de Cornélia, mas César recusou abandonar a jovem mulher e fugiu de Roma para evitar as perseguições. O ditador ficou desagradado com o desafio mostrado pelo jovem de vinte anos mas poupou a vida de César, divertido pelo caráter do rapaz, dizendo "Há muitos Mários neste César" (conforme Suetônio). Mas apesar do perdão de Sila, César decidiu não fifcar em Roma, partindo para a Ásia para realizar o seu serviço militar. Durante a campanha ao serviço de Lúcio Licínio Lúculo na Cilícia, César distinguiu-se pela sua bravura em combate e capacidades de liderança.


Depois da morte de Sila em 78 a.C., César regressou a cidade de Roma, iniciou a carreira como advogado no fórum romano e tornou-se conhecido pela sua brilhante oratória. As suas principais vítimas foram os políticos corruptos e culpados de extorsão. Com o perfeccionismo que sempre o caracterizou, César não estava contente consigo e viajou para Rodes para estudar filosofia e retórica com o gramático Apolônio Molo. Mas durante a sua viagem, o seu barco foi abordado por piratas que o raptaram. Quando exigiram um resgate de vinte talentos de ouro, César desafiou-os a pedir cinquenta, uma fortuna mesmo em moeda actual. Trinta e oito dias depois, o resgate chegou e César foi libertado depois de um cativeiro confortável onde fez amizade com alguns dos captores. De regresso à liberdade, organizou uma força naval, capturou o refúgio dos piratas e ordenou a sua crucificação.

Em 69 a.C., Cornélia morreu ao dar à luz um natimorto. Pouco depois César perdeu a tia Júlia, viúva de Mário, de quem era muito próximo. Ao contrário do que era costume, César insistiu em organizar funerais públicos para ambas, com direito a eulogias proferidas da rostra. O funeral de Júlia foi repleto de conotações políticas, visto que César fez incluir a máscara funerária de Caio Mário na procissão, a primeira contestação pública das leis de proscrição de Sila da década anterior. E apesar de ser público o afecto de César pelas duas mulheres (cf. Suetônio), houve quem interpretasse a atitude como propaganda para as eleições que se avizinhavam para o cargo de questor.

Cursus honorum

César foi eleito questor pela Assembleia do Povo em 69 a.C., com trinta anos de idade, como estipulava o cursus honorum romano. No sorteio subsequente, calhou-lhe um cargo na província romana da Hispania Ulterior, situada mais ou menos nos modernos Portugal e sul de Espanha.

No regresso a Roma, César prosseguiu a carreira como advogado até ser eleito edil em 65 a.C., o primeiro cargo do cursus honorum a deter imperium. As funções de um edil podem ser equiparadas às de um moderno presidente da câmara municipal e incluíam a regulação das construções, do trânsito, do comércio e outros aspectos da vida diária. Mas o cargo poderia ser um presente envenenado, pois incluía a organização dos jogos no Circo Máximo, o que, dado o limitado orçamento público, exigia a aplicação dos fundos privados do edil. Isto era especialmente verdade no caso de César, que pretendia realizar jogos memoráveis para impulsionar a carreira política. E de facto aplicou todo o seu engenho para o conseguir, chegando até a desviar o curso do Tibre para uma representação no circo, mas acabou o ano com dívidas na ordem das várias centenas de talentos de ouro (o equivalente a vários milhões de euros atuais).

No entanto, o sucesso como edil foi uma ajuda importante na sua eleição para pontifex maximus em 63 a.C., depois da morte de Quinto Cecílio Metelo Pio. O cargo significava uma nova casa no Fórum, a Domus Publica ("Casa Pública"), a responsabilidade por toda a vida religiosa de Roma e a custódia das virgens vestais. Para a vida pessoal de César, também significava o alívio do fim das dívidas. A sua estreia como pontifex maximus ("pontífice máximo") foi marcada por um escândalo. Depois da morte de Cornélia, César casara com Pompeia, uma das netas de Sulla. Como mulher do pontifex maximus e uma das mais importantes matronas de Roma, Pompeia era responsável pela organização dos ritos da Bona Dea ("Boa Deusa") em Dezembro, exclusivos às mulheres e considerados sagrados. Mas durante as celebrações, Públio Clódio Pulquer conseguiu entrar na casa disfarçado de mulher. Em resposta a este sacrilégio, do qual não foi provavelmente culpada, Pompeia recebeu uma ordem de divórcio. César admitiu publicamente que não a considerava responsável, mas justificou a sua acção com a célebre máxima: À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta.

Em 63 a.C., César foi eleito pretor e Marco Túlio Cicero cônsul sénior na Assembleia das Centúrias. Foi um ano particularmente difícil não só para César, mas também para a República Romana. Durante o seu consulado, Cícero revelou uma conspiração para destronar os magistrados eleitos liderada por Lúcio Sérgio Catilina, um aristocrata patrício frustrado pela sua falta de sucesso político. O resultado foi a execução sem julgamento de cinco proeminentes romanos aliados de Catilina. Isto era um anátema para a sociedade romana, que raramente executava os seus cidadãos e quando o fazia era apenas depois de complicados procedimentos judiciais. César opôs-se a esta medida com toda a sua oratória, mas acabou suplantado pela insistência de Marco Pórcio Catão, o Jovem e os cinco homens acabaram executados no próprio dia. Foi também nesta dramática reunião do senado que o caso amoroso de César com Servília Cipião foi trazido a público. Os opositores políticos de César acusaram-no na altura de fazer parte da conspiração de Catilina, o que nunca foi provado nem prejudicou grandemente a sua carreira. Depois do seu complicado ano como pretor, César foi nomeado governador da Hispânia Ulterior.

O primeiro triunvirato e as guerras na Gália

Em 59 a.C., César foi eleito cônsul sénior da República Romana pela Assembleia das Centúrias. Para seu colega, foi eleito o seu inimigo político, Marco Calpúrnio Bibulo, membro da facção conservadora e amigo de Marco Pórcio Catão. O primeiro acto de Bibulo como cônsul foi retirar-se de toda a vida política com o pretexto de se dedicar à observação dos céus em busca de presságios. Esta decisão, aparentemente de espírito religioso, era destinada a fazer difícil a vida política de César, mas este encontrou aliados onde menos se esperava.

Nesse mesmo ano, Gneu Pompeu Magno (Pompeu, o Grande) encontrava-se em disputa aberta com o senado por causa do direito dos seus veteranos a terras de cultivo. Ao mesmo tempo, o antigo cônsul Marco Licínio Crasso, alegadamente o homem mais rico de Roma, encontrava-se também em dificuldades para obter o tão desejado comando na guerra contra o Império Persa. César precisava do dinheiro de Crasso e da influência e popularidade de Pompeu e assim se formou uma aliança informal. Os historiadores designam esta união como o primeiro triunvirato, ou o governo dos três homens. Para confirmar a aliança, Pompeu casou com Júlia Caesaris, a única filha de César, e apesar da diferença de idades e de ambiente social o casamento provou ser um sucesso.

Depois de um ano difícil como cônsul, César recebeu poderes proconsulares para governar as províncias da Gália e Ilíria por cinco anos. Um governo pacífico não se adequava no entanto à sua personalidade e César iniciou as guerras gálicas (58 a.C.- 49 a.C.), onde conquistou a Gália, partes da Germânia e fez uma incursão às ilhas Britânicas.

Entre os seus legados contavam-se os primos Lúcio Júlio César e Marco António, Tito Labieno e Quinto Túlio Cícero (irmão mais novo de Cícero), todos homens que haveriam de se mostrar personagens importantes nos anos seguintes. César derrotou povos como os helvéticos em 58 a.C., a confederação belga e os nérvios em 57 a.C. e os venécios em 56 a.C.. Finalmente em 52 a.C., César venceu uma confederação de tribos gálicas lideradas por Vercingetórix na batalha de Alésia. As suas crónicas pessoais da campanha ficam registadas nos seus comentários (De Bello Gallico). De acordo com Plutarco, a campanha resultou em 800 cidades capituladas, 300 tribos submetidas, um milhão de gauleses reduzidos à escravatura e outros três milhões mortos nos campos de batalha.

Mas apesar dos seus sucessos e dos benefícios que a conquista da Gália trouxe a Roma, César continuava impopular entre os seus pares, em particular junto dos conservadores que receavam a sua ambição. Em 55 a.C., os seus aliados Pompeu e Crasso foram eleitos cônsules e honraram o acordo estabelecido com César ao prolongarem o proconsulado por mais cinco anos. No ano seguinte, Júlia Caesaris morreu em trabalho de parto, deixando pai e marido cobertos de desgosto. Crasso foi morto em 53 a.C., durante a desastrosa campanha da Pérsia, condenada desde o início por péssima planificação. Sem Crasso e Júlia, Pompeu aproximou-se da facção conservadora. Ainda na Gália, César procurou assegurar a aliança com Pompeu propondo-lhe casamento com uma das sobrinhas, mas este preferiu casar-se de novo com Cornélia Metela, filha de Cipião Metelo, um dos maiores inimigos de César.

Guerra civil

Em 50 a.C., o senado liderado por Catão ordenou o regresso de César e a desmobilização de todas as suas legiões romanas, ao mesmo tempo que o proibia de se candidatar ao segundo cargo de cônsul in absentia. César sabia que, sem o seu imperium de procônsul e o poder das suas legiões seria processado e eliminado da vida política assim que regressasse a Roma. Por este motivo, César recusou obedecer e atravessou o rio Rubicão, no norte da península Itálica, a 10 de Janeiro de 49 a.C., dizendo, segundo a lenda, "alea jacta est" ("a sorte está lançada"). Era o primeiro acto da guerra civil que haveria de pôr fim ao normal funcionamento das instituições políticas da República. Os Optimates, incluindo Cipião Metelo e Catão, o Jovem, após muitos esforços para convencer Pompeu a ajudá-los em sua investida contra César, fugiram para Sul, sem saberem que César era acompanhado apenas pela sua décima legião.

César perseguiu Pompeu até ao porto de Brundisium (atual Brindisi) no Sul da península, na esperança de poder reactar a sua aliança, mas este fugiu para a Grécia com os seus apoiantes. Então, César dirigiu-se para a Hispânia numa marcha forçada de apenas 27 dias, para derrotar os tenentes de Pompeu nessa poderosa província. Só quando considerou a retaguarda segura, e depois de organizar as instituições políticas em Roma, que caíra na anarquia, é que César se dirigiu para a Grécia. A 10 de Julho de 48 a.C., Pompeu foi derrotado na batalha de Dyrrhachium mas por uma escassa margem, conseguindo fugir para lutar outro dia com quase todo o seu exército.

Após esse acontecimento, ocorreu uma violenta batalha, onde César foi derrotado e fugiu para uma região distante. Cada vez mais longe de água e provisões, César se viu encurralado por Pompeu, que por saber que basta aguardar as provisões de César acabarem para os seus soldados desertarem, não atacou. Mas Catão teve uma série de desentendimentos com Pompeu por causa dos altos custos dessa guerra, se viu obrigado a iniciar um ataque contra César. O encontro final deu-se pouco tempo depois, a 9 de Agosto, na batalha de Farsalo. César conquistou uma vitória estrondosa, a partir de uma arriscada manobra que consistia em enfraquecer as legiões dianteiras para dar auxílio à cavalaria contra as cavalarias de Pompeu. Mas mais uma vez os inimigos políticos conseguiriam fugir: Pompeu para o Egipto, Cipião Metelo e Catão para o Norte de África. De regresso a Roma, foi nomeado ditador (um conceito diferente do atual), com Marco António como Magister equestris, e foi eleito cônsul pela segunda vez.

Em 47 a.C., César dirigiu-se ao Egito em busca de Pompeu, apenas para descobrir que o velho aliado e inimigo havia sido assassinado no ano anterior. Ao saber da sua sorte, César ficou destroçado pela perda e por ter perdido a oportunidade de oferecer-lhe o seu perdão. Talvez devido a isto, César decidiu intervir na política egípcia e substituiu o rei Ptolomeu XIII pela sua irmã Cleópatra, que já tinha a dignidade de faraó. Durante a sua estada, César envolveu-se com a rainha do Egipto e da relação nasceu o seu único filho, o futuro Ptolomeu XV do Egipto (Cesarion). Foi ainda durante este período que César sofreu o seu primeiro ataque de epilepsia.

Depois das campanhas do Egito, César rumou ao Médio Oriente, onde derrotou o rei Farnaces do Ponto, no Bósforo, na batalha de Zela. Sua vitória foi tão arrasadora que ele comemorou com a célebre frase Veni, vidi, vici ("Vim, vi, venci"). Depois, foi para o Norte de África para atacar os líderes da facção conservadora aí entrincheirados. Na batalha de Tapso, em 46 a.C., César somou mais uma vitória e viu desaparecerem dois dos seus piores inimigos, Cipião Metelo e Catão, o Jovem. Mas os filhos de Pompeu, Gneu e Sexto Pompeu, bem como o seu antigo comandante de cavalaria Tito Labieno, conseguiram fugir para a Hispânia. César não hesitou em persegui-los e em Março de 45 a.C. derrotou o último foco de oposição na batalha de Munda.

Com todo o mundo romano sob o seu controlo, César regressou a Roma onde foi cognominado Pater Patriae, pai da pátria. Então começou uma série de reformas administrativas que incluiaram a mudança para o calendário juliano. O mês Quintilis foi rebaptizado como Julius em sua honra e continua, nos dias de hoje, a ser conhecido como Julho. Em Fevereiro, Marco António ofereceu um diadema, símbolo de um rei, a César, que o rejeitou com veemência. No entanto, o episódio valeu-lhe a desconfiança dos seus pares que começaram a recear a sua ambição.

Pouco depois, César foi assassinado numa reunião do senado, nos Idos de Março (15 de Março) de 44 a.C., por um grupo de senadores que acreditavam agir em defesa da República. Entre eles contavam-se os seus antigos protegidos Marco Júnio Bruto e Caio Longino Cássio. César caiu aos pés de uma estátua de Pompeu e as suas últimas palavras são descritas em várias versões:

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Kai su, teknon?

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(em grego, "tu também, meu filho?")
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Tu quoque, Brute, filii mei!

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(em latim, "Tu também, Bruto, meu filho!")
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Et tu, Brute?

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(em latim, "Até tu, Bruto?", versão imortalizada na peça de Shakespeare)

Segundo Suetónio, em "A Vida dos Doze Césares", César, ao ser golpeado, não pronunciou frase alguma.

A lenda reporta um aviso feito por Calpurnia Pisonis, a mulher de César, depois de ter sonhado com um presságio terrível, mas César ignorou-a dizendo Só se deve temer o próprio medo.

Depois da morte de César, rebentou uma luta pelo poder entre o seu sobrinho-neto Caio Otávio (posteriormente conhecido como Augusto), adoptado no testamento, e Marco António, que haveria de resultar na queda da República e na fundação do Império romano.

César como general

Como comandante militar, os historiadores colocam César ao mesmo nível de brilhantismo de Alexandre, o Grande (a quem é comparado por Plutarco) ou Napoleão. César foi bem sucedido em todas as suas campanhas, fosse qual fosse o terreno ou altura do ano. A sua versatilidade permitiu-lhe vitórias em batalhas, cercos e guerras de guerrilha, baseadas numa disciplina rigorosa e no amor que os soldados lhe tinham, bem como no uso inovador que dava à cavalaria romana.

Descendências e casamentos

Cronologia

DIVINDADES: ATÉGINA, MITOLOGIA LUSITANA

Atégina ou Ataegina era a deusa do renascimento (Primavera), fertilidade, natureza e cura na mitologia lusitana. Viam-na como a deusa lusitana da Lua. O nome Ataegina é originário do celta Ate + Gena, que significaria "renascimento".

O animal consagrado a Atégina era o bode ou a cabra. Ela tinha um culto de devotio, em que alguém invocava a deusa para curar alguém, ou até mesmo para lançar uma maldição que poderia ir de pequenas pragas à morte.

Atégina era venerada na Lusitânia e na Bética, existem santuários dedicados a esta deusa em Elvas (Portugal), e Mérida e Cáceres na Extremadura española, além de outros locais, especialmente perto do Rio Guadiana. Ela era também uma das principais deusas veneradas em locais como Myrtilis (Mértola dos dias de hoje), Pax Julia (Beja), ambas cidades em Portugal, e especialmente venerada na cidade de Turobriga, cuja localização é desconhecida. A região era conhecida como a Baeturia celta.

Existem diversas inscrições que relacionam esta deusa com Proserpina: ATAEGINA TURIBRIGENSIS PROSERPINA, esta relação aconteceu durante o período romano. Muitas vezes é representada com um ramo de cipreste.

A banda portuguesa de black metal Moonspell possui um tema dedicado a Ataegina, o qual tem como título o nome da própria divindade. Foi editado no álbum Wolfheart, datado de 1995, sendo a sua nona e última faixa. A letra da música sugere que Ataegina seria uma divindade dotada com o poder de exercer vingança a quem a si recorra e/ou rogue, podendo inclusive provocar a morte do(s) visado(s) do acto de vingança pretendido. As alusões à noite (deusa lusitana da Lua) e ao renascimento da Natureza são explícitas, o que vão ao encontro do significado etimológico do seu nome ("Gena" = "Renascimento"). Há igualmente alusões a combates e a vitórias, o que pode indiciar uma acção de protecção de guerreiros em campo de batalha para os conduzir ao sucesso em tempo de guerra.

HISTÓRIAS DA ANTIGUIDADE: OS ASSÍRIOS

CIVILIZAÇÃO ASSÍRIA

Durante a Antiguidade, podemos observar que a Mesopotâmia foi alvo de vários processos de dominação que tem sua origem ligada às disputas entre as diversas civilizações ali presentes. Na esteira desta trajetória, devemos destacar o período em que os assírios controlaram a região dos rios Tigre e Eufrates por meio da formação de uma impiedosa máquina de guerra.

Fixando-se inicialmente na altura norte da Mesopotâmia, esse povo empreendeu a construção de um Estado fortemente militarizado que contava com carros de guerra, cavalos, aríetes, catapultas e armas forjadas em ferro mais potentes do que das civilizações vizinhas. Além do poderoso arsenal, vários estudos indicam que foram responsáveis pelo desenvolvimento de um exército hierarquizado, onde havia a distribuição de funções mais específicas.

Com o uso desses temíveis instrumentos militares, tiveram a capacidade de formar um amplo império que recobria as regiões da Mesopotâmia, Armênia, Síria, Palestina e Egito. Interessante assinalar que essa cultura militarista era cercada por uma série de gestos e rituais que nos faz ver os assírios como um povo extremamente violento. Saques, torturas, mutilações, castrações eram meios comuns de impor a dominação às populações atingidas pela opulência dessa civilização.

O período áureo do império assírio ocorreu durante o século VII a.C., tempo em que observamos os reinados de Sargão II, Senaqueribe e Assurbanipal. Para controlar as populações subjugadas, esses reis contavam com o serviço prestado por sacerdotes e guerreiros que se encarregavam da função de cobrar impostos e exigir uma série de trabalhos compulsórios. No reino de Assurbanipal temos uma intensa produção intelectual, marcada pela construção da biblioteca de Nínive.

Após esse período de governos bem sucedidos, os assírios não suportaram as investidas militares dos caldeus e medos. Por volta do ano de 612 a.C., a capital Nínive foi inteiramente destruída, o que marcou o fim da dominação assíria e a formação do Segundo Império Babilônico.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

18 Janeiro 2010

ABLAZE IN HATRED - DECEPTIVE AWARENESS (2006)

ABLAZE IN HATRED

De Onde: Finlandia
Gênero: Melodic Death / Doom Metal
Álbum: Deceptive Awareness

Tracklist:

1. Lost (The Overture) (5:11)
2. When The Blackened Candles Shine (9:25)
3. Howls unknown (6:27)
4. Constant Stillness (8:38)
5. Ongoing Fall (8:29)
6. To Breathe And To Suffocate (5:20)
7. Closure of Life (7:59)

http://hotfile.com/dl/24444319/6c545db/AbInHat_-_2006_-_DA.rar.html

PECCATUM - STRANGLING FROM WITHIN (1999)

PECCATUM

De Onde: Noruega
Gênero: Avant Garde Extreme Metal
Álbum: Strangling From Within

Tracklist:

  • Where Do I Then Belong 01:58
  • Speak of the Devil (As the Devil May Care) 05:43
  • The Change 03:02
  • The Song Which No Name Carry 06:35
  • The Sand Was Made of Mountains 03:02
  • I Breathe Without Access to Air 03:50
  • The World of No Worlds 08:49
  • And Pray For Me 04:43
  • An Ovation to Art 05:43
http://hotfile.com/dl/24334465/fbed9f5/ykn_Pcatm_StrnglngFrmWthn.www.bluavlk.blogspot.com.rar.html

05 Janeiro 2010

SUICIDE GIRLS: THREE AT ONCE


Akemi - If Only
http://www.easy-share.com/1908861966/Suicide_Girls-Akemi-If_Only.zip


Blerina - Big Sur
http://www.easy-share.com/1908861973/Suicide_Girls-Blerina-Big_Sur.zip

Anada - Rawr
http://www.easy-share.com/1908861972/Suicide_Girls-Anada-Rawr.zip


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GRANDES PERSONALIDADES DA HISTÓRIA: ÁTILA

ÁTILA, O HUNO

Átila ou Átila o Huno (406 - 453), também conhecido como Praga de Deus ou Flagelo de Deus[1][2] foi o último e mais poderoso rei dos hunos. Governou o maior império europeu de seu tempo desde 434 até sua morte. Suas possessões se estendiam da Europa Central até o Mar Negro, e desde o Danúbio até o Báltico. Durante seu reinado foi um dos maiores inimigos dos Impérios romanos Oriental e Ocidental: invadiu duas vezes os Bálcãs, esteve a ponto de tomar a cidade de Roma e chegou a sitiar Constantinopla na segunda ocasião. Marchou através da França até chegar a Orleães, antes que lhe obrigassem a retroceder na batalha dos Campos Cataláunicos (Châlons-sur-Marne) e, em 452, conseguiu fazer o imperador Valentiniano III fugir de sua capital, Ravenna.

Ainda que seu império tenha morrido com ele e não tenha deixado nenhuma herança notável, tornou-se uma figura lendária da história da Europa. Em grande parte da Europa Ocidental é lembrado como o paradigma da crueldade e da rapina. Alguns historiadores, por outro lado, retrataram-no como um rei grande e nobre, e três sagas escandinavas o incluem entre seus personagens principais.

Origens

Os hunos europeus parecem ter sido um ramo ocidental dos hsiung-nu, grupo proto-mongol ou proto-túrquico de tribos nômades do nordeste da China e da Ásia Central. Estes povos conseguiram superar militarmente seus rivais (muitos deles de refinada cultura e civilização) por sua predisposição para a guerra, sua assombrosa mobilidade e suas armas específicas, tais como o arco huno.

Átila nasceu em torno de ano 406. Quanto a sua infância, se desconhece qualquer dado. A suposição de que a desde pouca idade já era um chefe capaz e um guerreiro é razoável, porém não existe forma de constatá-la.

O trono compartilhado

Até 432, os hunos unificaram-se sob o rei Rua, Ruga ou Rugila. Em 434 morreu Rua, deixando a seus sobrinhos Átila e Bleda, filhos de seu irmão Mundzuk, o comando de todas as tribos hunas. Naquele momento, os hunos encontravam-se em plena negociação com os embaixadores de Teodósio II a respeito da entrega de várias tribos renegadas que se haviam refugiado no seio do Império Romano do Oriente. No ano seguinte, Átila e Bleda tiveram um encontro com a legação imperial em Margus (atualmente Požarevac, na Sérvia) e, sentados todos na garupa dos cavalos à maneira huna, negociaram um tratado. Os romanos concordaram não somente em devolver as tribos fugitivas (que haviam sido um auxílio mais que bem-vindo contra os vândalos), mas também em duplicar o tributo anteriormente pago pelo Império, de 350 libras romanas de ouro (quase 115 kg), abrir os mercados aos comerciantes hunos e pagar um resgate de oito sólidos por cada romano prisioneiro dos hunos. Estes, satisfeitos com o tratado, levantaram seus acampamentos e partiram até o interior do continente, talvez com o propósito de consolidar e fortalecer seu império. Teodósio utilizou esta oportunidade para reforçar os muros de Constantinopla, construindo as primeiras muralhas marítimas da cidade, e para levantar linhas defensivas na fronteira ao longo do Danúbio.

Os hunos permaneceram fora da vista dos romanos durante os cinco anos seguintes. Durante este tempo levaram a cabo uma invasão da Pérsia. Porém, uma contra-ofensiva persa na Armênia terminou com a derrota de Átila e Bleda, que renunciaram a seus planos de conquista. Em 440, reapareceram nas fronteiras do Império Romano do Oriente, atacando os mercadores da margem norte do Danúbio, aos quais protegia o tratado vigente. Átila e Bleda ameaçaram com a guerra aberta, sustentando que os romanos haviam faltado aos seus compromissos e que o bispo de Margus (próxima à atual Belgrado) havia cruzado o Danúbio para saquear e profanar as tumbas reais hunas da margem norte do Danúbio. Cruzaram então este rio e arrasaram as cidades e fortes ilírios ao longo da margem, entre eles – segundo PriscoViminacium (atual Kostolac, na Sérvia), que era uma cidade dos mésios na Ilíria. Seu avanço começou em Margus, já que quando os romanos debateram a possibilidade de entregar o bispo acusado de profanação, este fugiu em segredo para os bárbaros e lhes entregou a cidade.

Teodósio havia desguarnecido as defesas ribeirinhas como conseqüência da captura de Cartago pelo vândalo Genserico em 440 e a invasão da Armênia pelo sassânida Yazdegerd II em 441. Isto deixou a Átila e Bleda o caminho aberto através da Ilíria e dos Bálcãs, que se apressaram a invadir no mesmo ano de 441. O exército huno, tendo saqueado Margus e Viminacium, tomou Sigindunum (a moderna Belgrado) e Sirmium (atual Sremska Mitrovica, na província sérvia da Voivodina), antes de parar as operações. Continuou então uma trégua ao longo de 442, momento que Teodósio aproveitou para trazer suas tropas da África e dispor de uma grande emissão de moeda para financiar a guerra contra os hunos. Feitos estes preparativos, considerou que podia permitir-se rechaçar as exigências dos reis bárbaros.

A resposta de Átila e Bleda foi retomar a campanha (443). Golpeando ao longo do Danúbio, tomaram os centros militares de Ratiara e sitiaram com êxito Naissus (atual Nis) mediante o emprego de aríetes e torres de assalto rodantes (sofisticações militares que eram novas entre os hunos). Mais tarde, pressionando ao longo do rio Nišava, tomaram Serdica (Sofia), Filípolis (Plovdiv) e Arcadiópolis. Enfrentaram e destruíram tropas romanas próximo a Constantinopla e somente se detiveram pela falta do material adequado de assédio capaz de abrir brecha nas ciclópicas muralhas da cidade. Teodósio admitiu a derrota e enviou o cortesão Anatólio para negociar os termos da paz, que foram mais rigorosos para os romanos que no tratado anterior: o imperador concordou em entregar mais de 6.000 libras romanas (cerca de 1.963 kg) de ouro como indenização por ter faltado aos termos do pacto; o tributo anual triplicou-se, alcançando a quantidade de 2.100 libras romanas (cerca de 687 kg) de ouro; e o resgate por cada romano prisioneiro passava a ser de 12 sólidos.

Satisfeitos, durante um tempo, os seus desejos, os reis hunos retiraram-se para o interior do seu império. De acordo com Jordanes, que segue Prisco, em algum momento do período de calma que se seguiu à retirada dos hunos de Bizâncio (provavelmente em torno de 445), Bleda morreu e Átila ficou como único rei. Existe abundante especulação histórica sobre se Átila assassinou seu irmão ou se Bleda morreu por outras causas. Em todo caso, Átila era agora o senhor indiscutível dos hunos e voltou-se novamente para o Império Romano do Oriente.

Rei único


Depois da partida dos hunos, Constantinopla sofreu graves desastres, tanto naturais como causados pelo homem: sangrentos distúrbios entre aficcionados das corridas de carros do Hipódromo; epidemias em 445 e 446, a segunda em continuação de uma fome; e toda uma série de terremotos que durou quatro meses, derrubou boa parte das muralhas e matou milhares de pessoas, ocasionando uma nova epidemia. Este último golpe teve lugar em 447, justo quando Átila, tendo consolidado seu poder, partiu de novo ao sul, entrando no império através da Mésia.

O exército romano, sob o comando do magister militum godo Arnegisclo, o enfrentou no rio Vid e foi vencido, embora não sem antes ocasionar graves perdas ao inimigo. Os hunos ficaram sem oposição e se dedicaram à pilhagem ao longo dos Bálcãs, chegando inclusive até as Termópilas. Constantinopla mesma se salvou graças à intervenção do prefeito Flávio Constantino, que organizou brigadas cidadãs para a reconstrução das muralhas danificadas pelos sismos (e, em alguns lugares, para construir uma nova linha de fortificação em frente à antiga).

Chegou até nós um relato da invasão:

"A nação bárbara dos hunos, que habitava na Trácia, chegou a ser tão grande que mais de cem cidades foram capturadas e Constantinopla chegou quase a estar em perigo e a maioria dos homens fugiram dela (…) E houve tantos assassinatos e derramamentos de sangue que não se podiam contar os mortos. Ai, que inclusive capturaram igrejas e monastérios e degolaram monges e donzelas em grande número!"
Calínico, "Vida de São Hipátio".

Átila reclamou, como condição para a paz, que os romanos continuassem pagando um tributo em ouro e que evacuassem uma faixa de terra cuja largura ia de trezentas milhas a leste desde Sigindunum até cem milhas ao sul do Danúbio. As negociações continuaram entre romanos e hunos durante aproximadamente três anos. O historiador Prisco foi enviado como embaixador ao acampamento de Átila em 448. Os fragmentos de seus informes, conservados por Jordanes, nos oferecem uma descrição gráfica de Átila entre suas numerosas esposas, seu bufão cita e seu anão mouro, impassível e sem jóias no meio do esplendor de seus cortesãos:

"Havia sido preparada uma luxuosa comida, servida em vasilha de prata, para nós e nossos bárbaros hóspedes, porém Átila não comeu nada além de carne em um prato de madeira. Em todo o resto mostrou-se também equilibrado; seu copo era de madeira, enquanto que ao resto de nossos hóspedes se ofereciam cálices de ouro e prata. Sua roupa, igualmente, era muito simples, porém muito limpa. A espada que levava às costas, os laços de seus sapatos citas e os arreios de seu cavalo careciam de adornos, diferente dos outros citas, que levavam ouro ou gemas ou qualquer outra coisa preciosa."

Durante estes três anos, de acordo com uma lenda recolhida por Jordanes, Átila descobriu a "Espada de Marte":

"Diz o historiador Prisco que foi descoberta nas seguintes circunstâncias: Certo pastor descobriu que um terneiro de seu rebanho mancava e não foi capaz de encontrar a causa da ferida. Seguiu ansiosamente o rastro de sangue e encontrou ao final uma espada com que o animal havia se ferido enquanto pastava na relva. Recolheu-a e levou-a diretamente a Átila. Este deleitou-se com o presente e, sendo ambicioso, pensou que havia sido destinado a ser senhor de todo o mundo e que, por meio da Espada de Marte, tinha garantida a supremacia em todas as guerras."
Jordanes, "Origem e gestos dos godos" (XXXV)

Mais tarde, os estudiosos identificariam esta lenda como pertencente a um padrão de culto à espada, comum entre os nômades das estepes da Ásia Central.

Átila no Ocidente

Já em 450, Átila havia proclamado a sua intenção de atacar o poderoso Reino Visigodo de Toulouse em aliança com o imperador Valentiniano III. Átila havia estado anteriormente de boas relações com o império ocidental e com seu governante de facto , Aécio. Aécio havia passado um breve exílio entre os hunos em 433, e as tropas que Átila lhe havia proporcionado contra os godos e os burgúndios haviam contribuído para conseguir-lhe o título – mais que nada honorífico – de magister militum no ocidente. Os presentes e os esforços diplomáticos do vândalo Genserico, que se opunha e temia os visigodos, podem também ter influenciado os planos de Átila.

De qualquer modo, na primavera de 450, a irmã de Valentiniano, Honória, a quem, contra sua vontade haviam prometido a um senador, enviou ao rei huno um pedido de ajuda juntamente com seu anel. Embora seja provável que Honória não tivesse a intenção de propor-lhe matrimónio, Átila decidiu interpretar assim sua mensagem. Aceitou, pedindo-lhe, como dote, a metade do império ocidental. Quando Valentiniano descobriu o ocorrido, somente a influência de sua mãe, Gala Placídia, conseguiu que enviasse Honória ao exílio em vez de matá-la. Escreveu a Átila negando categoricamente a legitimidade da suposta oferta de matrimónio. Átila, sem deixar-se convencer, enviou uma delegação a Ravenna para proclamar a inocência de Honória e a legitimidade de sua proposta de núpcias, assim como que ele mesmo se encarregaria de vir reclamar o que era seu por direito.

Enquanto isso, Teodósio morreu em consequência de uma queda de cavalo, e o seu sucessor, Marciano, interrompeu o pagamento do tributo no final de 450. As sucessivas invasões dos hunos e de outras tribos haviam deixado os Bálcãs com pouco a saquear. O rei dos sálios havia morrido e a luta sucessória entre seus dois filhos conduziu a um confronto entre Átila e Aécio. Átila apoiava o filho mais velho, enquanto que Aécio apoiava o mais novo. Bury pensa que a intenção de Átila ao marchar para oeste era a de estender seu reino – já então o mais poderoso do continente – até a Gália e as costas do Atlântico. Quando reuniu todos seus vassalos (gépidas, ostrogodos, rugios, escirianos, hérulos, turíngios, alanos e burgúndios) e iniciou sua marcha a oeste, já havia enviado ofertas de aliança tanto aos visigodos como aos romanos.

Em 451, sua chegada à Bélgica, com um exército que Jordanes estima em meio milhão de homens, deixou claro quais eram suas verdadeiras intenções. Em 7 de abril tomou Metz, obrigando Aécio a por-se em movimento para enfrentar-lhe com tropas recrutadas entre os francos, burgúndios e celtas. Uma delegação de Avitus e o constante avanço de Átila a oeste convenceram o rei visigodo, Teodorico I, de aliar-se com os romanos. O exército combinado de ambos chegou a Orleães antes de Átila, cortando assim seu avanço. Aécio perseguiu os hunos e alcançou-os perto de Châlons-en-Champagne, travando a batalha dos Campos Cataláunicos, que terminou com a vitória da aliança godo-romana, embora Teodorico tenha perdido a vida no combate. Átila retirou-se para além das suas fronteiras e os seus aliados debandaram.

Invasão da Itália e morte de Átila

tila apareceu de novo em 452 para exigir seu matrimônio com Honória, invadindo e saqueando a Itália na sua passagem. Seu exército submeteu a pilhagem numerosas cidades e arrasou totalmente Aquiléia. O imperador Valentiniano III fugiu de Ravenna a Roma. Aécio permaneceu em campanha, porém sem capacidade militar suficiente para enfrentar uma batalha.

Finalmente, Átila se deteve no rio , onde recebeu uma delegação formada, entre outros, pelo prefeito Trigécio, o cônsul Avieno e o papa Leão I. Após o encontro, iniciou a retirada sem reclamar nem seu matrimônio com Honória nem os territórios que desejava.

Ofereceram-se muitas explicações para este fato. Pode ser que as epidemias e falta de alimentos que coincidiram com sua invasão debilitaram seu exército, ou que as tropas que Marciano enviou ao outro lado do Danúbio o forçaram a regressar, ou talvez ambas coisas. Prisco conta que um temor supersticioso ao destino de Alarico I, que morreu pouco depois do saque de Roma em 410, fez os hunos pararem. Próspero de Aquitânia afirma que o papa Leão, ajudado por São Pedro e São Paulo, o convenceu a se retirar da cidade. Seguramente a personalidade forte de São Leão Magno teve mais que ver com a retirada de Átila que a entrega a este de uma grande quantidade de ouro, como supõem alguns autores, dado que tinha já ao alcance de sua mão a plena posse da fonte da qual esse ouro provinha.

Quaisquer que fossem as suas razões, Átila deixou a Itália e regressou ao seu palácio além do Danúbio. Dali, planejou atacar novamente Constantinopla e exigir o tributo que Marciano havia deixado de pagar. Mas a morte surpreendeu-o no início de 453. O relato de Prisco diz que certa noite, depois dos festejos de celebração da sua última boda (com uma goda chamada Ildico), sofreu uma grave hemorragia nasal que lhe ocasionou a morte. Os seus soldados, ao descobrir sua morte, choraram-no cortando o cabelo e ferindo-se com as espadas, pois – como assinala Jordanes – "o maior de todos os guerreiros não devia ser chorado com lamentos de mulher nem com lágrimas, mas sim com sangue de homens". Enterraram-no num sarcófago triplo – de ouro, prata e ferro – junto com o botim de suas conquistas, e os que participaram no funeral foram executados para manter secreto o local do enterro. Depois da sua morte, continuou a viver como figura lendária: as personagens de Etzel no Cantar dos Nibelungos e de Atli na Saga dos Volsung e a Edda poética inspiram-se vagamente na sua figura.

Outra versão de sua morte é a que nos ofereceu, oitenta anos depois do evento, o cronista romano Conde Marcelino: "Átila, rei dos hunos e saqueador das províncias da Europa, foi atravessado pela mão e adaga de sua mulher". Também a "Saga dos Volsung" e a "Edda poética" sustentam que o rei Atli (Átila) morreu pelas mãos de sua mulher Gudrun, no entanto, a maioria dos estudiosos rejeitam estes relatos como puras fantasias românticas e preferem a versão dada por Prisco, contemporâneo de Átila.

Assim terminaram oito anos de invasões dos hunos. Os seus filhos Ellak (que tinha sido designado herdeiro), Dengizik e Ernak lutaram pela sucessão e, divididos, foram vencidos no ano seguinte na batalha de Nedao por uma coalizão de povos diversos (ostrogodos, hérulos, gépidas, etc). Seu império não sobreviveu a Átila.

Nome, aparência e caráter de Átila


A principal fonte de informação sobre Átila é Prisco, um historiador que viajou com Maximino em uma delegação de do imperador bizantino Teodósio II em 448. Descreve o povoado construído pelos nômades hunos, e no qual se haviam estabelecido, como do tamanho de uma cidade grande, com sólidos muros de madeira. Ao próprio Átila, Prisco o retrata assim:

"Baixo de estatura, de peito largo e cabeça grande; seus olhos eram pequenos, sua barba fina e salpicada de fios brancos; e tinha o nariz chato e a pele morena, mostrando a evidência de sua origem."

A aparência física de Átila devia ser, muito provavelmente, a de alguém do Extremo Oriente ou do tipo mongol, ou talvez uma mistura deste tipo e daquele dos povos túrquicos da Ásia Central. Em realidade, seguramente mostrava traços do oriente asiático, que os europeus não estavam acostumados a ver, e por isso o descreveram com frequência em termos pouco elogiosos.

Átila é conhecido na história e na tradição ocidentais como o inflexível "Flagelo de Deus", e seu nome passou a ser sinônimo de crueldade e barbárie. Parte dessa imagem pode ter surgido da fusão de seus traços, na imaginação popular, com os dos posteriores senhores da guerra das estepes, como Gêngis Kan e Tamerlão: todos eles compartilham a mesma fama de cruéis, inteligentes, sanguinários e amantes da batalha e da pilhagem. A realidade sobre seus caráteres respectivos pode ser mais complexa. Os hunos do tempo de Átila haviam se relacionado durante algum tempo com a civilização romana, particularmente através dos aliados germanos (foederati) da fronteira, de modo que quando Teodósio enviou sua delegação em 448, Prisco pôde identificar como línguas comuns na horda o huno, o gótico e o latim. Conta também Prisco seu encontro com um romano ocidental cativo, que havia assimilado tão completamente a forma de vida dos hunos que não tinha nenhum desejo de voltar a seu país de origem. E a descrição do historiador bizantino da humildade e simplicidade de Átila não oferece dúvidas sobre a admiração que lhe causa. Assim mesmo, está claro, dos relatos de Prisco, que Átila não somente falava perfeitamente o latim, mas que também sabia escrevê-lo; ademais falava o grego e outros idiomas, pelo que deduz que muito provavelmente tratou-se de um homem de grande cultura para os cânones da época.

O contexto histórico da vida de Átila teve grande trascendência na hora de configurar sua posterior imagem pública: Nos anos da decadência do Império Romano do Ocidente, tanto seus conflitos com Aécio (conhecido frequentemente como "o último romano") como o alheio de sua cultura contribuíram para cobrir-lhe com a máscara de bárbaro feroz e inimigo da civilização, como tem sido retratado em numerosos filmes e outras manifestações artísticas. Os poemas épicos germânicos em que ele aparece nos oferecem um retrato mais complexo: é tanto um aliado nobre e generoso (o Etzel do Cantar dos Nibelungos), como cruel (Atli, na Saga dos Volsung e na Edda poética). Algumas histórias nacionais, porém, o retratam sempre sob uma luz favorável. Na Hungria e Turquia os nomes de Átila e sua última mulher, Ildico, continuam sendo populares atualmente. De forma parecida, o escritor húngaro Geza Gardonyi, em sua novela A láthatatlan ember (publicada no ocidente com o título de "O escravo de Átila" ), oferece uma imagem positiva do rei huno, descrevendo-o como um chefe sábio e querido.

Tem-se classificado Átila como um "bárbaro" sem dar-se conta que os romanos chamavam assim a qualquer povo que não fosse romano ou romanizado, sem importar seu grau de cultura nem seu estado de civilização. Deve ter em conta, na hora de formar-se uma idéia correta do personagem, que os relatos que nos chegado são todos da caneta de seus inimigos, pelo que é imprescindível uma adequada análise dos mesmos.

Além disso, não é improvável que o chefe de uma nação guerreira (um chefe inteligente) avaliaria a vantagem propagandística de ser considerado por seus inimigos "O flagelo de Deus", e que devido a isso, fomentaria essa imagem entre eles.

O nome de Átila poderia significar "Paizinho", do gótico atta (pai), com o sufixo diminutivo "-la", já que sabemos que muitos godos serviram nos seus exércitos. Poderia ser também uma forma pré-turca, de origem altaica (compare-se com Ataturk e com Alma-Ata, a atual Almaty). É possível que provenha de atta (pai) e de il (terra, país), com o sentido de "terra paterna" ou "mãe pátria". Atil era também o nome altaico do atual Volga, rio que talvez deu seu nome a Átila.

Herança

Os hunos estão a tentar, na atualidade, conseguir o seu reconhecimento como minoria étnica na Hungria. Mais de 100.000 hunos descendentes do "Flagelo de Deus", possivelmente, vivem hoje entre a Hungria e os países vizinhos.


ANIME: SHURATO (CLASSICS NEVER DIE!)

SHURATO

Sinopse:

Shurato Hidaka e Gai Kuroki são dois melhores amigos de infância e opostos um do outro em aparência e personalidade. Enquanto lutavam um contra o outro na final de um torneio de artes marciais, eles são subitamente encobertos por uma misteriosa luz e transportados para um lugar paralelo, o Mundo Celestial, onde a tecnologia moderna não existe e, ao invés disso, as pessoas dependem de seus Souma, uma forma de energia espiritual.Shurato descobre que ele é, na verdade, a reencarnação de um rei antigo de mesmo nome, e um dos Hachibushu, um grupo de oito guardiões lendários com alta quantidade de Souma, sendo trazido para aquele mundo com Gai para lutar contra os deuses de Asra, uma legião de guerreiros destrutivos. Entretanto, por razões desconhecidas, Gai tenta matar Shurato repetidas vezes, confundindo Shurato, uma vez que o Gai real é um pacifista e a pessoa com mais compaixão que ele conhece.
Informações:


Titulo: Shurato

Idioma: Japonês Português

Tamanho Médio: 70 Mb Fansub:Rasengan Animes

Formato:RMVB Servidor: Mediafire

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SH: BOOK OF LOST MEMORIES: CHAPTER XXV

SILENT HILL: BOOK OF LOST MEMORIES
CHAPTER XXV

VII: A Carruagem


SÍMBOLOS

Símbolos negativos relacionados á dor que Alessa sofre.

Desde o primeiro jogo, ferrugens e cadeiras de rodas aparecem como símbolo do outro mundo. Esses objetos não são só colocados pra ficar parecendo estranho; a verdade é que eles são uma dica importante que indica por que o outro mundo existe. Alessa, que originalmente sofreu de queimaduras severas, é quem produz o outro mundo no primeiro e no terceiro jogo. Pode-se pensar que imagens relacionadas ao fogo, hospitais e relacionados, indica a dor que ela constantemente sentia. Vamos introduzir alguns exemplos.

Fogo

«Deus» manipular fogo tem haver com o fato de que Alessa foi queimada no ritual da ressurreição.

Sombras Tortas

As sombras tortas de chãos e paredes e as criaturas estão relacionados com as queimaduras que Alessa recebeu.

Cadeiras de rodas

As cadeiras de rodas tem haver com a situação de Alessa durante a hospitalização, assim como hospitais e Morte.

O pôr do sol

Após o pesadelo na abertura, Heather acorda no pôr do sol.

SEÇÃO 2: O estado da enfermeira Lisa aparece no hospital alternativo.

Prognósticamente, um vídeo que aparece no primeiro jogo é inserida durante o intervalo quando o Hospital vira de um lado pro outro.
Lisa aparece junta com Valtiel. Poderia ser que seu espírito continuaria em sofrimento sem fim?

Comentário dos criadores

Logo antes da mudança pro mundo alternativo no hospital, a figura da enfermeira Lisa que aparece no primeiro jogo pode ser vista. O propósito de colocar esse vídeo foi mostrar que a influência de Alessa no outro mundo cresce mais conforme ela re-ganha suas memórias. Isso indica que mesmo após o primeiro jogo ela continua a sofrer no outro mundo. Apesar de uma enfermeira aparecer do mesmo jeito também na igreja, isso não tem nada haver com Lisa.

-Masahiro Ito

31 Dezembro 2009

DIVINDADES: GANESHA, MITOLOGIA HINDU

GANESHA

No hinduísmo, Ganexa ou Ganesha (sânscrito: गणेश ou श्रीगणेश (quando usado para distinguir status de Senhor) (ou "senhor dos obstáculos," seu nome é também escrito como Ganesa ou Ganesh e algumas vezes referido como Ganapati) é uma das mais conhecidas e veneradas representações de deus. Ele é o primeiro filho de Shiva e Parvati, e o esposo de Buddhi (também chamada Riddhi) e Siddhi. Ele é chamado também de Vinayaka em Kannada, Malayalam e Marathi, Vinayagar e Pillayar (em tâmil), e Vinayakudu em Telugu. 'Ga' simboliza Buddhi (intelecto) e 'Na' simboliza Vijnana (sabedoria). Ganesha é então considerado o mestre do intelecto e da sabedoria. Ele é representado como uma divindade amarela ou vermelha, com uma grande barriga, quatro braços e a cabeça de elefante com uma única presa, montado em um rato. É habitualmente representado sentado, com uma perna levantada e curvada por cima da outra. Em geral, antepõe-se ao seu nome o título Hindu de respeito 'Shri' ou Sri.

Ganesha é o símbolo das soluções lógicas e deve ser interpretado como tal. Seu corpo é humano enquanto que a cabeça é de um elefante; ao mesmo tempo, seu transporte (vahana) é um rato. Desta forma Ganesha representa uma solução lógica para os problemas, ou "Destruidor de Obstáculos". Sua consorte é Buddhi (um sinônimo de mente) e ele é adorado junto de Lakshmi (a deusa da abundância) pelos mercadores e homens de negócio. A razão sendo a solução lógica para os problemas e a prosperidade são inseparáveis.

O culto de Ganesha é amplamente difundido, mesmo fora da Índia. Seus devotos são chamados Ganapatyas.

Iconografia

Assim como acontece com todas as outras formas externas nas quais o Hinduísmo representa deus, no sentido da aparência pessoal de Brahman (também chamada de Ishvara, o Senhor), a figura de Ganesha é também um arquétipo cheio de múltiplos sentidos e simbolismo que expressa um estado de perfeição assim como os meios de obtê-la. Ganesha, de facto, é o símbolo daquele que descobriu a Divindade dentro de si mesmo.

Ganesha é o som primordial, OM, do qual todos os hinos nasceram. Quando Shakti (Energia) e Shiva (Matéria) se encontram, ambos o Som (Ganesha) e a Luz (Skanda) nascem. Ele representa o perfeito equilíbrio entre força e bondade, poder e beleza. Ele também simboliza as capacidades discriminativas que provê a habilidade de perceber a distinção entre verdade e ilusão, o real e o irreal.

Uma descrição de todas as características e atributos de Ganesha podem ser encontradas no Ganapati Upanishad (um Upanishad dedicado a Ganesha) do rishi Atharva, no qual Ganesha é identificado com Brahman e Atman. [1] Este Hino Védico também contém um dos mais famosos mantras associados com esta divindade: Om Gam Ganapataye Namah (literalmente: "eu Te saúdo, Senhor das tropas").

Nos Vedas pode-se encontrar uma das mais importantes e comuns orações a Ganesha, na parte que constitui o início do Ganapati Prarthana:

Om ganaman tva ganapatigm havamahe kavim kavinamupamashravastanam
jyestharajam brahmanam brahmanaspata a nah shrunvannutibhih sida sadanam
(Rig Veda 2.23.1)

De acordo às estritas regras da iconografia Hindu, as figuras de Ganesha com somente duas mãos são tabu. Por isso, as figuras de Ganesha são vistas habitualmente com quatro mãos que significam sua divindade. Algumas figuras podem ter seis, outras oito, algumas dez, algumas doze e outras catorze mãos, cada uma carregando um símbolo que difere dos símbolos nas outras mãos, havendo aproximadamente cinquenta e sete símbolos no total, segundo alguns estudiosos.

A imagem de Ganesha é composta de quatro animais, homem, elefante, serpente e o rato. Eles contribuem para formar a imagem. Todos eles individualmente e coletivamente tem profunda significância simbólica.

O deus da boa fortuna

Em termos gerais, Ganesha é uma divindade muito amada e frequentemente invocada, já que é o Deus da Boa Fortuna quem proporciona prosperidade e fortuna e também o Destruidor de Obstáculos de ordem material ou espiritual. É por este motivo que sua graça é invocada antes de iniciar qualquer tarefa (por exemplo, viajar, prestar uma prova, realizar um assunto de negócios, uma entrevista de trabalho, realizar uma cerimônia) com Mantras como: Aum Shri Ganeshaya Namah (salve o nome de ganesha), ou similares. É também por esse motivo, que tradicionalmente, todas as sessões de bhajan (cântico devocional) iniciam com uma invocação de Ganesha, o Senhor dos "bons inícios". Por toda a Índia de cultura hindu, o Senhor Ganesha é o primeiro ídolo colocado em qualquer nova casa ou templo.

Além disso, Ganesha é associado com o primeiro chakra, que representa o instinto de conservação e sobrevivência e de procriação. O nome desse chakra é muladhara.

Atributos corporais

Cada elemento do corpo de Ganesha tem seu próprio valor e seu próprio significado:

  • A cabeça de elefante indica fidelidade, inteligência e poder discriminatório;
  • O fato dele ter apenas uma única presa (a outra estando quebrada) indica a habilidade de Ganesha de superar todas as formas de dualismo;
  • As orelhas abertas denotam sabedoria, habilidade de escutar pessoas que procuram ajuda e para refletir verdades espirituais. Elas simbolizam a importância de escutar para poder assimilar idéias. Orelhas são usadas para ganhar conhecimento. As grandes orelhas indicam que quando Deus é conhecido, todo conhecimento também é;
  • A tromba curvada indica as potencialidades intelectuais que se manifestam na faculdade de discriminação entre o real e o irreal;
  • Na testa, o Trishula (arma de Shiva, similar a um Tridente) é desenhado, simbolizando o tempo (passado, presente e futuro) e a superioridade de Ganesha sobre ele;
  • A barriga de Ganesha contém infinitos universos. Ela simboliza a benevolência da natureza e equanimidade, a habilidade de Ganesha de sugar os sofrimentos do Universo e proteger o mundo;
  • A posição de suas pernas (uma descansando no chão e a outra em pé) indica a importância da vivência e participação no mundo material assim como no mundo espiritual, a habilidade de viver no mundo sem ser do mundo.
  • Os quatro braços de Ganesha representam os quatro atributos do corpo sutil, que são: mente (Manas), intelecto (Buddhi), ego (Ahamkara), e consciência condicionada (Chitta). O Senhor Ganesha representa a pura consciência - o Atman - que permite que estes quatro atributos funcionem em nós;
    • A mão segurando uma machadinha, é um símbolo da restrição de todos os desejos, que trazem dor e sofrimento. Com esta machadinha Ganesha pode repelir e destruir os obstáculos. A machadinha é também para levar o homem para o caminho da verdade e da retidão;
    • A segunda mão segura um chicote, símbolo da força que leva o devoto para a eterna beatitude de Deus. O chicote nos fala que os apegos mundanos e desejos devem ser deixados de lado;
    • A terceira mão, que está em direção ao devoto, está em uma pose de bênçãos, refúgio e proteção (abhaya);
    • A quarta mão segura uma flor de lótus (padma), e ela simboliza o mais alto objetivo da evolução humana, a realização do seu verdadeiro eu.
O senhor cuja forma é Om

Ganesha é também definido como Omkara ou Aumkara, que significa "tendo a forma de Om (ou Aum) (veja a seção Os nomes de Ganesha). De fato, a forma do seu corpo é uma cópia do traçado da letra Devanagari que indica este grande Bija Mantra. Por causa disso, Ganesha é considerado a encarnação corporal do Cosmos inteiro, Ele que está na base de todo o mundo fenomenal (Vishvadhara,Jagadoddhara). Além disso, na língua tâmil, a sílaba sagrada é indicada precisamente por uma letra que relembra o formato da cabeça de Ganesha.

A presa quebrada

A presa quebrada de Ganesha, como descrita acima, simboliza inicialmente sua habilidade de superar ou "quebrar" as ilusões da dualidade. Porém, existem muitos outros sentidos que têm sido associados a este símbolo.

Um elefante normalmente tem duas presas. A mente também freqüentemente propõe duas alternativas: o bom e o mau, o excelente e o expediente, fato e fantasia. A cabeça de elefante do Senhor Ganesha porém tem apenas uma presa por isso ele é chamado "Ekadantha," que significa "Ele que tem apenas uma presa", para lembrar a todos que é necessário possuir determinação mental.
(Sathya Sai Baba)
Ganesha e o rato

De acordo com uma interpretação, o divino veículo de Ganesha, o rato ou mushika representa sabedoria, talento e inteligência. Ele simboliza investigação diminuta de um assunto difícil. Um rato vive uma vida clandestina nos esgotos. Então ele é também um símbolo da ignorância que é dominante nas trevas e que teme a luz do conhecimento. Como veículo do Senhor Ganesha, o rato nos ensina a estar sempre alerta e iluminar nosso eu interior com a luz do conhecimento.

Ambos Ganesha e Mushika amam modaka, um doce que é tradicionalmente oferecido para os dois durante cerimônias de adoração. O Mushika é normalmente representado como sendo muito pequeno em relação a Ganesha, em contraste para as representações dos veículos das outras divindades. Porém, já foi tradicional na arte Maharashtriana representar Mushika como um rato muito grande, e Ganesha estando montado nele como se fosse um cavalo.

Outra interpretação diz que o rato (Mushika ou Akhu) representa o ego, a mente com todos os seus desejos, e o orgulho da individualidade. Ganesha, guiando sobre o rato, se torna o mestre (e não o escravo) dessas tendências, indicando o poder que o intelecto e as faculdades discriminatórias têm sobre a mente. O rato (extremamente voraz por natureza) é habitualmente representado próximo a uma bandeja de doces com seus olhos virados em direção de Ganesha, enquanto ele segura um punhado de comida entre suas patas, como se esperando uma ordem de Ganesha. Isto representa a mente que foi completamente subordinada à faculdade superior do intelecto, a mente sob estrita supervisão, que olha fixamente para Ganesha e não se aproxima da comida sem sua permissão.

Casado ou celibatário?


É interessante notar como, de acordo com a tradição, Ganesha foi gerado por sua mãe Parvati sem a intervenção de Shiva, seu marido. Shiva, de fato, sendo eterno (Sadashiva), não sentia nenhuma necessidade de ter filhos. Consequentemente, o relacionamento entre Ganesha e sua mãe é único e especial.

Essa devoção é o motivo pelo qual as tradições do sul da Índia o representam como celibatário (veja o conto Devoção por sua mãe). É dito que Ganesha, acreditando ser sua mãe a mais bela e perfeita mulher no universo, exclamou: "Traga-me uma mulher tão bonita quanto minha mãe e eu me casarei com ela".

No Norte da Índia, por outro lado, Ganesha é freqüentemente representado como casado com as duas filhas de Brahma: Buddhi (intelecto) e Siddhi (poder espiritual). Popularmente no norte da Índia Ganesha é representado acompanhado por Sarasvati (deusa da cultura e da arte) e Lakshmi (deusa da sorte e prosperidade), simbolizando que essas características sempre acompanham aquele que descobre sua própria divindade interior. Simbolicamente isso representa o fato de que a abundância, prosperidade e sucesso acompanham aqueles que possuem as qualidades da sabedoria, prudência, paciência, etc. que Ganesha simboliza.

Histórias mitológicas
Como ele obteve sua cabeça de elefante?

A mitologia altamente articulada do Hinduísmo apresenta muitas histórias na qual é explicada a maneira que Ganesha obteve sua cabeça de elefante; freqüentemente a origem desse atributo particular é encontrado nas mesmas histórias que narram seu nascimento. E muitas dessas mesmas histórias revelam as origens da enorme popularidade do culto a Ganesha.

Decapitado e reanimado por Shiva

A mais conhecida história é provavelmente aquela encontrada no Shiva Purana. Uma vez, quando sua mãe Parvati queria tomar banho, não havia guardas na área para protegê-la de alguém que poderia entrar na sala. Então ela criou um ídolo na forma de um garoto, esse ídolo foi feito da pasta que Parvati havia preparado para lavar seu corpo. A deusa infundiu vida no boneco, então Ganesha nasceu. Parvati ordenou a Ganesha que não permitisse que ninguém entrasse na casa e Ganesha obedientemente seguiu as ordens de sua mãe. Dali a pouco Shiva retornou da floresta e tentou entrar na casa, Ganesha parou o Deus. Shiva se enfureceu com esse garotinho estranho que tentava desafiá-lo. Ele disse a Ganesha que ele era o esposo de Parvati e disse que Ganesha poderia deixá-lo entrar. Mas Ganesha não obedecia a ninguém que não fosse sua querida mãe. Shiva perdeu a paciência e teve uma feroz batalha com Ganesha. No fim, ele decepou a cabeça de Ganesha com seu Trishula (tridente). Quando Parvati saiu e viu o corpo sem vida de seu filho, ela ficou triste e com muita raiva. Ela ordenou que Shiva devolvesse a vida de Ganesha imediatamente. Mas, infortunadamente, o Trishula de Shiva foi tão poderoso que jogou a cabeça de Ganesha muito longe. Todas as tentativas de encontrar a cabeça foram em vão. Como último recurso, Shiva foi pedir ajuda para Brahma que sugeriu que ele substituísse a cabeça de Ganesha com o primeiro ser vivo que aparecesse em seu caminho com sua cabeça na direção norte. Shiva então mandou seu exército celestial (Gana) para encontrar e tomar a cabeça de qualquer criatura que encontrarem dormindo com a cabeça na direção norte. Eles encontraram um elefante moribundo que dormia desta maneira e após sua morte, tomaram sua cabeça, e colocaram a cabeça do elefante no corpo de Ganesha trazendo-o de volta à vida. Dali em diante ele é chamado de Ganapathi, ou o chefe do exército celestial, que deve ser adorado antes de iniciar qualquer atividade.

Shiva e Gajasura

Outra história a respeito da origem de Ganesha e sua cabeça de elefante narra que, uma vez, existiu um Asura (demônio) com todas as características de um elefante, chamado Gajasura, que estava praticando austeridades (ou tapas). Shiva, satisfeito por esta austeridade, decidiu dar-lhe, como recompensa, qualquer coisa que ele pedisse. O demônio desejou emanar fogo continuamente do seu próprio corpo. Desse modo, ninguém poderia se aproximar dele. Shiva concedeu o que foi pedido. Gajasura continuou sua penitência e Shiva, que aparecia a ele de tempos em tempos, perguntou, mais uma vez, o que desejava. O demônio respondeu: "desejo que você habite meu estômago."

Shiva atendeu até mesmo a este pedido e, então, passou a residir no estômago do demônio. De fato, Shiva também é conhecido como Bhola Shankara porque é uma deidade facilmente agradada; quando está satisfeito com um devoto, concede-lhe o que for pedido e, isso, de tempos em tempos, gera situações particularmente intrincadas. Por esse motivo Parvati, sua esposa, procurou por ele em todos os lugares sem obter resultado algum. Como último recurso, foi ao seu irmão, Vishnu, pedir a ele que encontrasse seu marido. Vishnu, que conhece a tudo, respondeu: "Não se preocupe minha irmã; seu marido é Bhola Shankara e prontamente garante aos seus devotos tudo o que eles pedem, sem se preocupar com as conseqüências; acho que ele se meteu em algum problema. Vou procurar saber o que aconteceu."

Então Vishnu, o onisciente diretor do jogo cósmico, elaborou uma pequena encenação: transformou Nandi (o touro de Shiva) em um touro dançarino e o conduziu à frente de Gajasura, assumindo, ao mesmo tempo, a aparência de um flautista. A encantadora performance do touro fez o demônio entrar em êxtase e perguntar ao flautista o que ele desejava. O músico respondeu: "Você pode mesmo me dar qualquer coisa que eu pedir?" Gajasura respondeu: "Por quem me tomas? Eu posso lhe dar qualquer coisa que você pedir imediatamente!" O flautista então respondeu: "Se é assim, libere Shiva do seu estômago." Gajasura entendeu, então, que este não poderia ser outro senão o próprio Vishnu, o único que poderia saber desse segredo. Nesse momento, o demônio se jogou aos pés de Vishnu e, tendo liberado Shiva, pediu a este um último presente: "Tenho sido abençoado por você muitas vezes; meu último pedido é que todo mundo se lembre de mim adorando minha cabeça quando eu estiver morto." Shiva, então, trouxe seu próprio filho até ali e substituiu sua cabeça pela de Gajasura. Desde então, na Índia, é tradição que qualquer ação, para poder prosperar, deva ser iniciada com a adoração de Ganesha. Este é o resultado do presente que Shiva deu à Gajasura.

O olhar de Shani

O Olhar de Shani

Uma história menos conhecida do Brahma Vaivarta Purana narra uma versão diferente do nascimento de Ganesha. Pela insistência de Shiva,Parvati jejuou por um ano (punyaka vrata) para propiciar Vishnu para que lhe desse um filho. O Senhor Krishna, após o fim do sacrifício, anunciou que ele mesmo encarnaria como seu filho em cada kalpa (era). Então, Krishna nasceu para Parvati como uma charmosa criança. Esse evento foi celebrado com grande entusiasmo e todos os deuses foram convidados para olhar o bebê. Porém Shani, o filho de Surya, hesitou em olhar ao bebê pois é dito que o olhar de Shani é prejudicial. Porém Parvati insistiu que ele olhasse para o bebê, então Shani o fez, e imediatamente a cabeça da criança caiu e voou para Goloka. Vendo Shiva e Parvati feridos de aflição, Vishnu montou em Garuda, sua águia divina, e apressou-se para a ribeira do rio Pushpa-Bhadra, donde ele trouxe a cabeça de um jovem elefante. A cabeça do elefante se juntou com o corpo do filho de Parvati, revivendo-o. A criança foi chamada Ganesha e todos os Deuses abençoaram Ganesha e desejaram a ele poder e prosperidade.

Outras versões


Outro conto do nascimento de Ganesha relata um incidente no qual Shiva matou Aditya, o filho de um sábio. Porém Shiva restaurou a vida ao corpo da criança morta, mas isso não conseguiu pacificar o sábio enfurecido Kashyapa, que era um dos sete grandes Rishis. Kashyap amaldiçoou Shiva e declarou que o filho de Shiva perderia sua cabeça. Quando isto aconteceu, a cabeça do elefante de Indra foi colocada em seu lugar.

Outra versão diz que em uma ocasião, a água de banho usada de Parvati foi jogada no Ganges e esta água foi bebida por Malini, a Deusa com cabeça de elefante, que logo após deu à luz um bebê de quatro braços e cinco cabeças de elefante. Ganga, a Deusa do rio o reivindicou como seu filho, mas Shiva declarou que ele era filho de Parvati, reduziu suas cinco cabeças a uma e o empossou como o Controlador de obstáculos (Vigneshwara).

Ganesha o escrivão

Na primeira parte do poema épico Mahabharata, está escrito que o sábio Vyasa pediu para Ganesha que transcrevesse o poema enquanto ele ditava. Ganesha concordou, mas somente na condição de que o sábio Vyasa recitasse o poema sem interrupções ou pausas. O sábio, por sua vez, colocou a condição que Ganesha não teria somente que escrever, mas também entender tudo o que ele escutasse antes de escrever. Dessa forma, Vyasa se recuperaria um pouco de seu falatório cansativo ao simplesmente recitando um verso bem difícil que Ganesha não conseguisse entender rapidamente. Começou o ditado, mas no corre-corre de escrever, a caneta de Ganesha se quebrou. Então ele quebrou uma de suas presas e a usou como caneta, só assim a transcrição pôde prosseguir sem interrupções, permitindo a ele manter sua palavra.

Ganesha e Parashurama

Um dia Parashurama, um avatar de Vishnu, foi fazer uma visita a Shiva, mas no caminho ele foi bloqueado por Ganesha. Parashurama lançou seu machado em direção a Ganesha, e Ganesha (sabendo que esse machado foi dado a ele por Shiva) se deixou golpear e perdeu sua presa como resultado.

Ganesha e a Lua

Dizem que certa vez, Ganesha após ter recebido de muitos de seus devotos uma enorme quantidade de doces (Modak), para poder digerir melhor essa incrível quantidade de comida, decidiu ir passear. Ele montou em seu rato, que utiliza como veículo, e foi adiante. Foi uma noite magnífica e a lua estava resplandecente. De repente uma cobra apareceu do nada e assustou o rato, que pulou e tirou Ganesha de sua montaria. O grande estômago de Ganesha foi empurrado contra o chão com tanta força que sua barriga abriu e todos os doces que ele comeu foram espalhados a seu redor. No entanto, ele era muito inteligente para se enraivecer por causa deste pequeno acidente e, sem perder tempo em lamentações inúteis, ele tentou remediar a situação da melhor maneira possível. Ele pegou a cobra que causou o acidente e a usou como cinturão para manter seu estômago fechado e reparar o dano. Satisfeito com essa solução, ele remontou em seu rato e continuou sua excursão. Chandradev (O Deus da Lua) observou toda aquela cena e caiu na gargalhada. Ganesha, sendo de temperamento curto, amaldiçoou Chandradev por sua arrogância e quebrando uma de suas presas, a atirou contra a lua, partindo em duas sua luminosa face. Então ele a amaldiçoou, decretando que qualquer um que olhasse para a lua teria má sorte. Escutando isso, Chandradev percebeu sua loucura e pediu perdão para Ganesha. Ganesha cedeu e como uma maldição não pode ser revocada, ele apenas a abrandou. A maldição então ficou sendo de que a lua iria minguar em intensidade a cada quinze dias e qualquer um que olhar para a lua durante o Ganesh Chaturthi teria má-sorte. Isto explica porque, em certos momentos, a luz da Lua diminui, e então começa gradualmente a reaparecer; mas sua face só aparece por completo somente por um curto período de tempo.

Ganesha, chefe do exército celestial

Uma vez ocorreu uma grande competição entre os Devas para decidir quem entre eles seria o chefe do Gana (tropas de semideuses à serviço de Shiva). Foi pedido aos competidores que eles dessem a volta ao mundo o mais rápido possível e retornassem para os pés de Shiva. Os deuses foram, cada um em seu próprio veículo, e mesmo Ganesha participou com entusiasmo desta corrida; mas ele era extremamente pesado e seu veículo era um rato! Conseqüentemente, seu passo era muito devagar e isso foi uma grande desvantagem. Dali a pouco apareceu a sua frente o sábio Narada (filho de Brahma), que perguntou a ele aonde estava indo. Ganesha estava muito aborrecido e entrou em fúria porque é considerado um sinal de má-sorte encontrar um Brahmin solitário no começo de uma viagem. Mesmo que Narada seja o maior dos Brahmins, filho do próprio Brahma, isso ainda era um mau presságio. Além disso, não é considerado um bom sinal ser perguntado aonde está indo quando já se está no caminho; então, Ganesha se sentiu duplamente infeliz. No entanto, o grande Brahmin conseguiu acalmar sua fúria. O filho de Shiva explicou a ele os motivos de sua tristeza e seu terrível desejo de vencer. Narada o consolou, o exortando a não entrar em desespero, e deu a ele um conselho:

"Assim como uma grande árvore nasce de uma única semente, o nome de Rama é a semente da qual emergiu aquela grande árvore chamada Universo. Então, escreva no chão o nome "Rama", ande ao seu redor uma vez, e corra para Shiva para pedir seu prêmio."

Ganesha retornou a seu pai, que perguntou a ele como conseguiu terminar a corrida tão rapidamente. Ganesha contou a ele de seu encontro com Narada e do conselho do Brahmin. Shiva, satisfeito com essa resposta, declarou seu filho como vencedor e, daquele momento em diante, ele foi aclamado com o nome de Ganapati (Condutor do exército celestial) e Vinayaka (Senhor de todos os seres).

O apetite de Ganesha

Ganesha é conhecido também como o destruidor da vaidade, egoísmo e orgulho.

Um conto, retirado dos Puranas, narra que Kubera, o tesoureiro do Svarga (paraíso) e deus da riqueza, foi ao monte Kailasa para receber o darshan (visão) de Shiva. Como ele era extremamente vaidoso, ele convidou Shiva para um banquete na sua fabulosa cidade, Alakapuri, assim ele poderia demonstrar a ele toda sua riqueza. Shiva sorriu e disse para ele: "eu não poderei ir, mas você pode convidar meu filho Ganesha. Mas eu o advirto que ele é um comilão voraz." Inalterado, Kubera sentiu-se confiante que ele poderia satisfazer mesmo tal insaciável apetite de Ganesha, com suas opulências. Ele levou o pequeno filho de Shiva com ele para sua grande cidade. Lá, ele lhe ofereceu um banho cerimonial e o vestiu em roupas suntuosas. Após esses ritos iniciais, o grande banquete começou. Enquanto os serventes de Kubera estavam trabalhando duramente para trazer as porções de comida, o pequeno Ganesha apenas continuava a comer e comer.... Seu apetite não diminuiu mesmo quando devorou até a comida destinada aos outros convidados. Não havia tempo para substituir um prato por outro porque Ganesha já havia devorado tudo, e com gestos de impaciência, continuava esperando por mais comida. Tendo devorado tudo o que havia sido preparado, Ganesha começou a comer as decorações, os talheres, a mobília, o lustre.... Apavorado, Kubera se prostrou diante do pequeno onívoro e suplicou para que deixasse para ele pelo menos, o resto do palácio. "Eu estou com fome. Se você não me der mais nada pra comer, eu comerei até você!", ele disse a Kubera. Desesperado, Kubera correu para o monte Kailasa para pedir a Shiva que remediasse a situação. O Senhor então deu a ele um punhado de arroz tostado, dizendo que somente aquilo poderia satisfazer Ganesha. Ganesha já tinha sugado quase toda a cidade quando Kubera retornou e deu a ele o arroz. Com isto, finalmente Ganesha se satisfez e se acalmou.

O respeito de Ganesha por seus pais

Uma vez ocorreu uma competição entre Ganesha e seu irmão Kartikeya para saber quem conseguiria dar a volta aos três mundos mais rápido, e então ganhar o fruto do conhecimento. Karthikeya foi em uma jornada pelos três mundos, enquanto que Ganesha apenas andou ao redor de seus pais. Quando perguntado porque fez isso, ele respondeu que para ele, seus pais representam todos os três mundos, e então foi dado a ele o fruto do conhecimento.

Devoção à sua mãe

ma vez, enquanto brincava, Ganesha machucou uma gata. Quando ele voltou pra casa ele encontrou uma ferida no corpo de sua mãe. Ele perguntou como ela se machucou. Parvati, sua mãe, respondeu que isso foi causado pelo próprio Ganesha! Surpreso Ganesha quis saber quando ele a machucou. Parvati respondeu que Ela como o divino poder está imanente em todos os seres. Quando ele machucou a gata, machucava a sua mãe também. Ganesha percebeu que todas as mulheres são realmente as manifestações de sua Mãe. Deciciu não casar e permaneceu um brahmachari, um celibatário, seguindo as regras estritas do Brahmacharya. Porém, em algumas imagens e escrituras Ganesha é frequentemente relatado como casado com as duas filhas de Brahma: Buddhi (intelecto) e Siddhi (poder espiritual).

Festivais e adorações a Ganesha

Na Índia, existe um importante festival em honra ao Senhor Ganesha. Mesmo sendo mais popular no estado de Maharashtra, ele é festejado por toda a Índia. Ele é celebrado por dez dias começando pelo Ganesh Chaturthi. Isto foi introduzido por Balgangadhar Tilak como uma maneira de promover o sentimento nacionalista quando a Índia era governada pelos Ingleses. Esse festival é celebrado e sua culminação é no dia de Ananta Chaturdashi quando a murti do Senhor Ganesha é imergida na água. Em Mumbai (antes conhecida como Bombaim), a murti é imergida no Arabian Sea e em Pune no rio Mula-Mutha. Em várias cidades do Norte e Leste da Índia, como Calcutá, eles são imergidos no sagrado rio Ganges.

As representações de Shri Ganesh são baseadas em milhares de anos de simbolismo religioso que resultaram na figura de um deus com cabeça de elefante. Na Índia, as estátuas são expressões de significado simbólico e que por isso nunca foram reivindicadas como réplicas exatas da entidade original. Ganesha não é visto como um entidade física, mas como um alto ser espiritual, e murtis, ou representações em estátua, atuam como notificação dele como um ideal. Por isso, referir-se às murtis como ídolos trai os entendimentos Ocidentais Judaico-Cristãos de veneração insubstancial de um objeto ao considerar que na Índia, as deidades Hindus são vistas como acessíveis através de pontos simbólicos de concentração conhecidos como murtis. Por esse motivo, a imersão das murtis de Ganesh em rios sagrados próximos é compreensível pois as murtis são entendidas como sendo apenas apreensões temporais de um ser superior ao invés de serem 'ídolos,' que são tradicionalmente vistos como objetos adorados por causa de sua divindade própria.

A adoração de Ganexa no Japão vem desde o ano 806.

Ressurgimento da popularidade

Recentemente, houve um ressurgimento da adoração a Ganesha e um aumento do interesse no "Mundo Ocidental" devido a inundação de supostos milagres em Setembro de 1995. No dia de 21 de setembro de 1995, de acordo com a revista Hinduism Today (www.hinduismtoday.com), as estátuas de Ganesha (e de alguns outros deuses da família de Shiva) na Índia começaram a beber leite espontaneamente quando uma colher cheia era posta perto da boca das estátuas em honra ao deus elefante. Os fenômenos propagaram-se de Nova Délhi a Nova York, Canadá, Ilhas Maurício, Quênia, Austrália, Bangladesh, Malásia, Reino Unido, Dinamarca, Sri Lanka, Nepal, Hong Kong, Trinidad e Tobago, Grenada e Itália entre outros lugares. Isso foi visto como um milagre por muitos, mas muitos céticos afirmaram que isso foi outro exemplo de histeria coletiva. Alguns experimentos científicos conduzidos naquela época sugeriram a ação capilar como uma explicação para este fenômeno. Permanecia um mistério o porquê do fenômeno não haver se repetido até que o mesmo ocorresse novamente em 21 de agosto de 2006. Agora a questão é por que o fenômeno se repetiu.

O livro Ganesha, Remover of Obstacles de Manuela Dunn Mascetti é outra de muitas fontes que testemunham o Milagre hindu do leite.

Popularidade de Ganesha


Ganesha possui duas Siddhis (simbolicamente representadas como esposas ou consortes): Siddhi (sucesso) e Riddhi (prosperidade). É amplamente acreditado que "onde quer que esteja Ganesh, lá existe Sucesso e Prosperidade" e "onde quer que haja Sucesso e Prosperidade, lá está Ganesh". É por isso que Ganesha é considerado como aquele que traz boa sorte, e a razão pela qual ele é invocado primeiro antes de qualquer ritual ou cerimônia. Seja ela o Diwali Puja, ou uma nova casa, novo transporte, antes de uma prova estudantil, antes de entrevistas para emprego, é para Ganesha que se ora, porque acredita-se que ele irá vir para ajudar e garantir sucesso em qualquer empreitada.

Ganesha é venerado como Vinayak (culto) e Vighneshvar (removedor de obstáculos). Acredita-se que ele abençoa aqueles que meditam sobre ele. Ganesha, na astrologia, ajuda as pessoas a saber o que pode ser alcançado e o que não pode.

Os nomes de Ganesha

Assim como outras Murtis hindus (ou deuses e deusas), Ganesh tem muitos outros títulos de respeito ou nomes simbólicos, e é frequentemente venerado através do canto dos sahasranama, ou mil nomes. Cada um é diferente e carrega um sentido diferente, representando um aspecto diferente do deus em qestão. Quase todos os deuses Hindus têm uma ou duas versões aceitas de suas próprias liturgias dos mil nomes (sahasranam).

Alguns dos outros nomes de Ganesha são:

  • Ameya (Sânscrito: अमेय), sem limites (em Marathi)
  • Anangapujita (Sânscrito: आनंगपूजीता), O Sem-Forma, ou Sem-corpo
  • Aumkara (Sânscrito: ॐ कार), com o corpo na forma do Aum
  • Balachandra (Sânscrito: बालचंदृ), aquele que carrega a lua em sua cabeça
  • Chintamani (Sânscrito:????), aquele que retira as preocupações
  • Dhumraketu (Sânscrito: धुम्रकेतू), ou Ardente
  • Gajakarna (Sânscrito: गजकर्ण), aquele com orelhas de elefante
  • Gajanana (Sânscrito: गजानन्), aquele que possui a face de um elefante
  • Gajavadana, aquele que tem a cabeça de elefante
  • Ganadhyaksha (Sânscrito: गणध्यक्शमा), o líder das massas
  • Ganapati (Sânscrito: गणपती), Condutor dos Ganas, uma raça de seres anões do exército de Shiva
  • Gananatha, Senhor dos Ganas
  • Gananayaka, Senhor de todos os seres
  • Ekadanta (Sânscrito: एकदंत), Com somente uma presa
  • Kapila (Sânscrito: कपिल), o nome de uma vaca celestial. Ganesha representa as características de "doação" que simboliza a vaca, por isso o nome.
  • Lambodara (Sânscrito: लंबोदर), de grande barriga
  • Mushika Vahana, Aquele que conduz o rato
  • Pillaiyar, tâmil para "Filho Nobre"
  • Shupakarna, Grandes e Auspiciosas orelhas
  • Sumukh (Sânscrito: सुमूख), aquele que tem uma bela face: Ganesha é dito possuir todas as qualidades da Lua, que também é chamado o Deus da beleza, e por isso ele é conhecido como Sumukh.
  • Vakratunda (Sânscrito: वक्रतुंड), Tromba curvada
  • Vighnaharta (Sânscrito: विघ्नहर्त), Removedor de obstáculos
  • Vighna Vinashaka, remover of obstacles
  • Vighnesh ou Vighneshvara (Sânscrito: विग्णेशवर), controlador dos obstáculos (Vighna = obstáculos, eeshwara=senhor)
  • Vikat (Sânscrito: विकट), o feroz
  • Vinayaka, (Sânscrito विनायक), um líder distinto (Vi significa vishesha Especial e nayaka da raiz ni liderar, por isso, Líder
  • Vishvadhara ou Jagadoddhara, Aquele que mantém o universo
  • Vishvanata ou Jagannatha, Senhor do Universo

Outra murti muito amada é a Bala Gajanana ou Bala Ganesha (literalmente, pequeno Ganesha ou bebê Ganesha), na qual um Ganesha bem jovem com uma pequena tromba e grandes olhos é representado nos braços de seus Pais Divinos, ou enquanto ele docemente abraça o Lingam, o símbolo de Shiva.

Os 12 nomes de Ganesha

O Ganesha Purâna, um importante texto dos Gânapatyas, nos dá uma lista dos doze principais nomes do deus-elefante. Esses nomes devem ser pronunciados antes de qualquer ritual. Eles são o seguinte:

1. Sumukha : "O Senhor cheio de graça"
2. Ekadanta : "O Senhor que só possui uma presa"
3. Kapila : "O Senhor de cor fulva"
4. Gajakarna : "O Senhor com orelhas de elefante"
5. Lambodara : "O Senhor com uma barriga proeminente"
6. Vikata : "O Deformado"
7. Vighnanâsaka : "O Senhor destruidor dos obstáculos"
8. Ganâdhipa : "O Senhor protetor do Gana"
9. Dhûmraketu : "O Senhor de cor esfumaçada" com dois braços cavalgando um cavalo azul, o Governante da Kali Yuga
10.Ganâdhyaksha : "O Ministro dos Gana"
11.Bhâlachandra : "O Senhor que usa a lua crescente em sua cabeça"
12.Gajânana : "O Sennhor com uma face de elefante".


Além desses, existem mais nomes que constituem os 21 nomes de Ganesha, utilizados durante o Puja. Oferenda de flores e arroz acompanham os 21 nomes de Ganesha(eka vishanti nama).

  • Vighnarâja : "O Rei dos obstáculos"
  • Gajânana : "O Senhor que possui face de elefante"
  • Lambodara : "O Senhor com uma barriga proeminente"
  • Shivatmaja : "O Filho de Shiva"
  • Vakratunda : "O Senhor de tromba torcida"
  • Supakarna
  • Ganeshvara : "O Senhor do Gana"
  • Vighnanashin : "O Destruidor de Obstáculos"
  • Vikata : "O Deformado"
  • Vamana : "O Anão"
  • Sarvadeva
  • Sarvadukhavinâshi
  • Vighnarhartr : "O Senhor que cancela os obstáculos"
  • Dhûmrâja
  • Sarvadevâdhideva
  • Ekadanta : "O Senhor que tem apenas uma presa"
  • Krishnapingala : "O Senhor Azul e Escuro"
  • Bhâlachandra : "O Senhor que carrega a lua crescente na cabeça"
  • Gananâtha : "O comandante supremo do Gana"
  • Shankarasunav: "O filho de Shankara"
  • Anangapujita : "O Senhor sem forma"
Nota: Ao contrário da opinião popular, o Hinduísmo Védico primitivo não era politeísta nem monoteísta, porém é melhor identificado como uma religião henoteísta: as diferentes manifestações e formas de Deus (entre as quais os avatares e os devas) são considerados infinitas emanações de Brahman (o princípio impessoal da realidade do qual todos os mundos e seres derivam) criadas para tornar Brahman acessível para o homem.